Colégio Nossa Senhora da Assunção

O começo da educação brasileira, está ligada à Igreja Católica e não fugindo ao processo histórico, em São Paulo de Olivença, também começa a sua normatização através dos missionários capuchinhos sob a brilhante idéia de D. Frei Monsenhor Evangelista de Cefalônia, Prelado do Alto Solimões, auxiliado por Frei Diogo, Secretário da Prelazia e Frei Venceslau de Spolleto, vigário da paróquia.

É oportuno ressaltar que em nosso município, até 1921, não havia nenhuma escola pública, registrada junto ao Departamento de Educação do Estado do Amazonas. As aulas em  algumas casas particulares, ministradas por pessoas vindas de fora do município, precisamente de Manaus, onde a transmissão de conhecimentos era restrito as famílias de maior poder aquisitivo.

Vendo a necessidade de se ampliar a educação a todas as classes que, D. Frei Monsenhor Evangelista de Cefalônia, com seu espírito missionário e educador, preocupado em fazer uma evangelização mais consciente, fundou a 17 de novembro de 1921, o nosso COLÉGIO NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO, trazendo para um mesmo local, a sua residência, todos aqueles alunos que estudavam em casas particulares, começando assim, a história de quase um século do nosso maior patrimônio cultural, o Educandário Nossa Senhora da Assunção.

Antes, porém, do dia 17 de novembro de 1921, chegava a São Paulo de Olivença a professora MARIA LUCILA DO MONTE JUSTA, natural de Baturité, Ceará, que após nove anos como professora em Fortaleza e dezenove anos em Manaus, aposentou-se, mas impelida pelo seu ideal profundamente católico, pediu e obteve de Monsenhor Evangelista de Cefalônia a permissão para trabalhar em São Paulo de Olivença e coadjuvar os missionários na obra humanitária,  patriótica e educacional.

Após fundar o Colégio Nossa Senhora da Assunção, Monsenhor Evangelista de Cefalônia, entregou a D. Maria Lucila do Monte Justa, toda a responsabilidade pela condução dos trabalhos educacionais da referida escola, sendo esta a 1ª diretora, coadjuvada pela professora Silvina Ramos. E no dia 22 de novembro de 1921, portanto, cinco dias após a fundação, todos os alunos que estudavam em casas particulares foram convocados a prestar o 1º EXAME de conhecimentos gerais, sendo, portanto, a partir dessa data, o Colégio o centro de convergência de toda a educação em São Paulo de Olivença.

A professora D. Maria Lucila do Monte Justa, continuou à frente dos trabalhos educacionais do Colégio até seu falecimento em 1º de setembro de 1927, assumindo interinamente a direção Frei Ambrósio de Gaifana e Maria Augusta Liberato.

Com a chegada das Irmãs Missionárias Capuchinhas, em 18 de outubro de 1927, Madre Marcelina, Superiora, Irmã Josefa, Vice-superiora, Irmã Francisca e Irmã Vicência, a direção da escola passou a ser de responsabilidade das mesmas, sob o comando de Madre Marcelina.

Como o colégio era eminentemente católico, a sua direção sempre foi entregue aos missionários capuchinhos (frades e freiras), até 1983, quando assumiu a direção o professor José de Assis Epifânio Balieiro, retornando às irmãs, sob o comando de Irmã Raimunda Costa de Souza, no ano de 1989.

A partir de 1994 a direção da escola passa a ser assumida por professores não missionários capuchinhos.

O trabalho da secretaria sempre foi feito pela direção. Somente a partir de 1962 é que foi nomeada a 1ª secretária, Irmã Anatólia Maria de Barra de São Pedro.

É louvável o trabalho dos Capuchinhos em nosso município, o desempenho foi tão grande que o nome do Colégio Nossa senhora da Assunção, ultrapassou os limites do município, devido o alto nível de instrução e educação regido nesta escola, sendo esta por muitos anos ter ostentado o título de Centro Cultural do Alto Solimões, não só do Alto Solimões, mas de todo Solimões, pois com a implantação pelas irmãs capuchinhas do internato para alunas, a demanda cresceu a níveis elevados. Eram alunas de Tefé, Fonte Boa, Porto Afonso, Jutaí, Tonantins, Santo Antônio do Içá, Amaturá, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Marco/Tabatinga e até mesmo de Manaus, buscando seu alto grau de formação, pois no Colégio Nossa Senhora da Assunção não se ensinava somente as disciplinas do “Núcleo Comum”, mas cantos, teatro, prendas doméstica e culinárias e música.

O internato das irmãs foi até 1973 e trabalharam no Colégio 68 missionárias capuchinhas.

Na história do Colégio, desde a sua fundação houve uma interrupção no ano de 1924. As aulas foram suspensas para a construção do prédio do Colégio, que não é o atual e sim a parte mais baixa localizada atrás de nossa Igreja Matriz, recomeçando-as com a inauguração no ano de 1925.

A parte da frente do colégio que tem dois andares, foi construída nos anos de 1940/41, devido o grande número de alunos que buscavam conhecimentos. A parte dos fundos foi construída em 1967.

Nos primeiros anos após a fundação, só existiam turmas até o “3º ano”, somente a partir de 1943 é que tivemos a primeira turma de “4º e 5º ano”.

Com o crescimento populacional de São Paulo de Olivença, o internato das Irmãs, a demanda de alunos vindos de outros municípios era grande, houve a necessidade de implantar um “Curso de Grau mais elevado”, concretizado tal fato através do Decreto nº 72 de 24 de janeiro de 1949, com a criação do Curso Normal Rural, para qualificar professores de 1ª a 4ª séries, passando, então, o colégio a se chamar Escola Normal Rural Nossa Senhora da Assunção. Entretanto, as aulas do Curso Normal iniciaram somente a partir de 1950, formando as primeiras professoras, Raimunda Cruz Farias, Lenita de Carvalho Reis e Terezinha Guimarães da Costa, em 1954, ano em que foi reconhecida e registrada, no dia 19 de novembro.

O trabalho das Irmãs era cada vez mais crescente e prestigiado, que para atender o grande número de crianças que não tinha idade para ingressar na “cartilha” e nem no “1º ano”, fundaram em 1957 o Jardim da Infância D. Cesário Minalli, um dos primeiros do interior de Amazonas.

Em quase um século de história da Escola Estadual Nossa Senhora da Assunção é enriquecido pelos grandes feitos e pela formação de grandes homens e podemos dividi-la em dois momentos históricos: antes de D. Adalberto Marzi e a partir de D. Adalberto Marzi, que em 1961, assumiu a Prelazia do Alto Solimões e consequentemente a educação. Não só em São Paulo de Olivença, mas em todo o Alto Solimões, porém com mais atenção para o nosso Colégio, onde foi diretor e professor e dedicou parte de sua vida para hoje sermos seus discípulos. Não é difícil escrever os feitos do mais apaixonado por São Paulo de Olivença, mas é extenso e longo e todo vivente paulivense é testemunha ocular, não só na educação, porém em todos os segmentos. É notório e sabido por todos de sua preocupação e persistência em elevar o grau de conhecimento dos filhos desta terra. A maior prova não foi celebrar o convênio com a SEDUC/AM, mas trazer e implantar o então 2º grau, Magistério, em 1977, para qualificar professores ao Ensino Fundamental de 1ª a 4ª séries. E, hoje, quase 100% dos professores da Rede Estadual e Municipal de ensino são egressos deste “2º grau” que formou a 1ª turma em 1979.

Hoje a Escola Estadual Nossa Senhora da Assunção tem uma área construída de 1.680 m2 além de uma ginásio coberto num  terreno de 6.700 m2 , com mais de 30 turmas do Ensino Fundamental a partir da 5ª série ao 3º ano do Ensino Médio, temos hoje acima de mil alunos matriculados e mais de 30 profissionais que fazem da escola um lugar de aprendizado, fraternidade, profissionalismo e fé.